4 clássicos da literatura dos semifinalistas da Copa

A Copa do Mundo da FIFA 2026 está chegando ao fim. França, Espanha, Inglaterra e Argentina seguem na disputa, consagrando uma trajetória de luta, vitórias e superação até agora. Os quatro semifinalistas carregam uma forte tradição no futebol, elemento central de suas identidades nacionais.
No entanto, o que esses países também têm em comum é uma produção literária que traduz a essência e a cultura de seus povos. Dessa forma, para entrar nesse clima festivo e cultural, foram selecionadas quatro obras clássicas de cada país para quem deseja conhecer a literatura dos semifinalistas da Copa do Mundo.
Espanha
A Espanha foi o país onde surgiu o primeiro romance moderno da história. "Dom Quixote de la Mancha" (1605), do escritor Miguel de Cervantes, alterna entre o drama intenso e o humor, com uma sátira às novelas de cavalaria. O clássico narra a história de um fidalgo que, ao ler dezenas de romances, acredita ser um cavaleiro e passa a vagar buscando defender os fracos. Ele também procura por Dulcineia, uma mulher que não existe. Quem o acompanha na jornada é seu fiel escudeiro Sancho Pança. "Dom Quixote" tornou-se uma análise sobre sonhos, loucura e o que é real e imaginário.
França
De autoria de Victor Hugo e publicado em 1862, "Os Miseráveis" é uma obra de valor tanto literário quanto histórico. O livro é considerado um manifesto contra a injustiça social, a desigualdade e a pobreza na França pós-revoluções. A narrativa acompanha Jean Valjean, um ex-presidiário que roubou um pão para alimentar a família. O protagonista é acolhido por um bispo e se redime, mas ele é implacavelmente perseguido pelo inspetor Javert enquanto tenta proteger a jovem Cosette, entregue aos seus cuidados pela mãe.
Argentina
Considerado por muitos o livro que define a alma do país, o poema "El Gaucho Martín Fierro" (1872), de José Hernández, é uma descrição da alma "gauchesca" dos moradores dos pampas argentinos. O poema segue a trajetória de Martín Fierro, um trabalhador rural que é forçado a abandonar sua terra e lutar com o exército. Ao desertar e retornar para sua casa, encontra seu lar abandonado, sendo a partir daí forçado a viver como um fora da lei. A obra protesta contra as injustiças sociais, o alistamento militar forçado e a marginalização do gaúcho. A obra tornou-se tão marcante que 10 de novembro, data de nascimento de José Hernandez, tornou-se o Dia da Tradição na Argentina.
Inglaterra
Uma das autoras que melhor traduz a alma da literatura inglesa é Jane Austen. Em suas obras, a autora sempre trouxe críticas sobre a tradição e o modo de vida inglês, e "Orgulho e Preconceito" (1813) é um ótimo exemplo. Com ironia, a autora transforma o romance entre a jovem Elizabeth Bennet e o altivo Sr. Darcy em uma reflexão sobre desigualdade entre classes, casamento, status social e independência feminina. Mais de 200 anos após sua publicação, o livro ainda gera debate sobre os impactos das barreiras sociais.