5 livros nacionais sobre violência contra a mulher

Em um cenário de crescimento da violência contra a mulher no Brasil, a literatura brasileira contemporânea tem funcionado como um instrumento de educação e denúncia. Entre ficção e não ficção, obras recentes discutem as dores, lutas e resistência das mulheres. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que 1.568 mulheres foram mortas por sua condição de gênero em 2025. Em média, 4 mulheres são vítimas de feminicídio por dia no país.
Para refletir sobre o problema, cinco livros nacionais contemporâneos analisam a violência contra a mulher sob diferentes perspectivas.
"Boas meninas se afogam em silêncio" (2025), da médica e escritora gaúcha Andressa Tabaczinski, é um thriller investigativo finalista do Prêmio Jabuti 2025 na categoria Romance de Entretenimento. A história se passa na alta sociedade de Curitiba e parte do feminicídio brutal da jovem Amélia Moura. Após o arquivamento do caso, ele é reaberto pela pressão da opinião pública. A autora discute como o comportamento da vítima é usado como justificativa para a violência e evidencia o silenciamento e as estruturas de poder nesses casos.
"Agressão: A escalada da violência doméstica no Brasil" (2025), da jornalista Ana Paula Araújo, questiona por que tantas mulheres ainda são agredidas dentro de casa. A autora percorreu todas as regiões do Brasil, ouvindo vítimas, agressores, familiares, profissionais da saúde e representantes do sistema judiciário. A obra é um trabalho jornalístico que mapeia a realidade enfrentada por milhares de brasileiras.
"Insubmissas Lágrimas de Mulheres" (2011), de Conceição Evaristo, usa o conceito de "escrevivência" para dar voz a mulheres negras em treze contos. As personagens vivenciaram diferentes tipos de violência, mas transformaram a dor em ferramentas de afeto, resistência e solidariedade. Um exemplo é o conto "Natalina Soledade", que mostra como a violência psicológica acontece no cotidiano.
"Dias Perfeitos" (2014), de Raphael Montes, é narrado pela perspectiva do agressor. Téo, um estudante de medicina, desenvolve uma obsessão por Clarice. Ao ser rejeitado, ele a sequestra e a obriga a viajar com ele, mantendo-a como prisioneira. O thriller mostra o sofrimento da vítima alvo de vários tipos de violência.
"Medeia Morta" (2023), de Claudia Lemes, é um suspense psicológico semifinalista do Jabuti. A obra revisita o mito grego de Medeia. A ex-professora de literatura de Ian Medeia é assassinada, e ele se torna o principal suspeito. O livro mostra como as dinâmicas de poder nas relações familiares, o abuso emocional e a masculinidade tóxica afetam as mulheres no ambiente doméstico.