Cinema LGBT+ brasileiro: nova fase deixa clichês trágicos

No Mês do Orgulho, o cinema nacional recebe três filmes LGBTQ+: “Trago seu Amor”, “Quinze Dias” e “Labirinto dos Garotos Perdidos”. Embora sejam filmes brasileiros protagonizados pela comunidade, as semelhanças param por aí. Essas produções seguem uma nova tendência do audiovisual que preza por histórias orgânicas e abraça os grandes gêneros comerciais.
Agora, a sexualidade deixa de ser o conflito central da trama para se tornar apenas mais uma característica dos personagens. A consequência disso é o abandono definitivo dos clichês trágicos e das narrativas voltadas ao descobrimento da sexualidade. Essa abordagem humaniza as histórias e aproxima a identidade LGBTQ+ do público de forma mais natural e autêntica.
As histórias lançadas neste mês mostram personagens que já estão bem resolvidos com a própria identidade. Por isso, o foco agora é explorar novos territórios literários e cinematográficos como amadurecimento (coming of age), horror psicológico e até o realismo mágico.
No caso do filme “Trago Seu Amor”, por exemplo, o grande drama não é se assumir mas, entender como nossos atos afetam os outros. A protagonista Mia se envolve casualmente com pessoas de todos os gêneros mas, acaba apaixonada pela pessoa mais improvável. O conflito não nasce de um relacionamento homoafetivo, mas do medo de Mia em se apaixonar por alguém, independentemente do gênero.
Em “Quinze Dias”, apesar da clássica história de romance com o vizinho, o foco está na aceitação do próprio corpo. O drama do protagonista Felipe não é ser um adolescente gay, mas a insegurança que sente por ser um menino gordo e tímido. O enredo gira em torno de não ser desejado ou digno do amor de outros.
Já em “Labirinto dos Garotos Perdidos”, as questões do personagem giram em torno de sobreviver a um serial killer na noite de São Paulo. O verdadeiro conflito é enfrentar a solidão urbana e o perigo real de morte dentro do gênero de suspense de sobrevivência.
A grande mudança dessas estreias durante o Mês do Orgulho LGBTQ+ é o direito à normalidade. Ver personagens LGBTQ+ enfrentando obstáculos sem que a sexualidade seja um fardo ou o conflito central da trama é a verdadeira evolução da representatividade.