Como o J-Horror Transformou o Cinema Mundial

O cinema de terror japonês, conhecido como J-Horror, marcou o cinema mundial com um estilo próprio de construir o medo. Diferente do terror ocidental, que muitas vezes aposta em ameaças físicas e sustos repentinos, o J-Horror investe no desconforto psicológico, na sugestão e no sobrenatural.
Filmes como Ringu (1998), de Hideo Nakata, e Ju-On (2000), de Takashi Shimizu, são exemplos dessa abordagem. Ambos exploram a figura do Onryõ, um espírito vingativo do folclore japonês. O terror não vem de um inimigo claro, mas da sensação de que a ameaça já está presente e não pode ser combatida.
Outra característica do gênero é o isolamento. Os protagonistas enfrentam seus problemas sozinhos, sem apoio de amigos ou familiares. Em Pulse (2001), de Kiyoshi Kurosawa, o medo nasce do cotidiano. Uma cena simples, de uma mulher caminhando de forma estranha, gera aflição sem usar sustos fáceis.
A influência do J-Horror chegou a Hollywood com remakes como O Chamado (2002) e O Grito (2004). Mais recentemente, o filme Obsessão (2025), de Curry Barker, teve uma cena comparada por fãs e críticos à sequência de Pulse, mostrando que o estilo japonês ainda inspira o terror contemporâneo.
Obras do mangaká Junji Ito também seguem essa linha. Em suas histórias, situações comuns, como olhar pela janela de casa, se transformam em pesadelos sem explicação. Para o J-Horror, às vezes o horror simplesmente acontece, sem motivo ou aviso.