Crítica: "Amor Apocalipse" une comédia e drama sobre clima

O filme "Amor Apocalipse" ("Peak Everything"), dirigido por Anne Émond, mistura comédia e drama para abordar as mudanças climáticas e as conexões humanas. A produção foca nos relacionamentos em vez de seguir um caminho de romance clichê. Na história, duas pessoas "quebradas" se encontram e percebem que podem sentir amor, mesmo que não seja de uma forma comum.
Na trama, Adam (Patrick Hivon) é um homem que cuida de cachorros e acredita que o fim do mundo está próximo. Ele é visto como estranho pelo pai e pelos amigos, mas não deixa de acreditar que as mudanças climáticas são um aviso do fim. O nome original do filme, "Peak Everything", é explicado no roteiro como "o pico de tudo", o momento em que a humanidade atinge o limite máximo de exploração dos recursos naturais e de crescimento populacional. A partir desse pico, a tendência é apenas o declínio.
Entre crises de ansiedade, Adam compra uma lâmpada para ajuda emocional. Ao ligar para o serviço de telemarketing da empresa, achando que era um número de suporte emocional, ele conversa com Tina (Piper Perabo). A mulher se solidariza com ele, e surge uma conexão genuína. A princípio, Tina parece ser uma constante emocional, com marido, filhas e emprego, mas também tem seus problemas. Quando Adam pensa que ela está em apuros, ele vai atrás dela, e o público vê Tina pela primeira vez quase na metade do filme.
O roteiro não segue uma ordem normal e é caótico, assim como o personagem principal. Patrick Hivon entrega uma atuação que mostra Adam à beira de um colapso em vários momentos. Para compreender a trama, o espectador precisa embarcar na mente do personagem. Tudo acontece rápido, sem muita explicação sobre alguns fatos, e algumas situações só são compreendidas no final. A forma como foi filmado, com zooms e mudanças de ângulo, como na cena em que Adam fala com a terapeuta, mostra que não é um filme comum. Há momentos engraçados e uma carga emocional grande, mas falta equilíbrio, e as mudanças de tom podem parecer estranhas e sem sentido.
Para se entreter com a história, o espectador precisa entrar no universo criado por Adam. O roteiro não é espetacular e pode ser confuso e lento. O filme vai além do romance, falando do meio ambiente e da realidade emocional humana. No entanto, ele se enquadra como um filme para distração, deixando o público reflexivo sobre as escolhas ambientais e a importância das conexões humanas. "Amor Apocalipse" está disponível nos cinemas brasileiros.