Crítica: Todo Mundo em Pânico 2026 aposta na nostalgia, mas perde a irreverência

O retorno de “Todo Mundo em Pânico” aos cinemas em 2026 aposta na nostalgia, mas não consegue recuperar a irreverência do filme original de 2000. A nova produção, dirigida por Michael Tiddes, traz de volta os irmãos Wayans e os personagens clássicos Cindy, Brenda, Ray e Shorty.
O filme se beneficia do reencontro do elenco original. Anna Faris e Regina Hall mantêm a química que marcou os primeiros filmes da série. O roteiro utiliza essa dinâmica como um dos pilares da experiência, oferecendo momentos que remetem aos originais sem parecer uma repetição simples.
As referências e sátiras do longa atacam o terror e a cultura pop recentes. A principal inspiração continua sendo a franquia Pânico, especialmente “Pânico 7”. O roteiro também zomba de sucessos como M3GAN, SORRIA, Terrifier, Longlegs, A Substância, Pecadores e A Hora do Mal. Além disso, o filme amplia seus alvos para incluir a cultura de cancelamento e a onda de remakes e reboots em Hollywood.
O maior acerto do filme é compreender que a essência da franquia sempre esteve nos personagens, não apenas nas referências. O retorno de Cindy, Brenda, Ray e Shorty resgata a química que tornou os primeiros filmes queridos. As sátiras ao terror moderno funcionam bem, especialmente quando o filme brinca com produções excessivamente sérias.
Por outro lado, o filme tropeça no excesso de referências. O roteiro parece acreditar que apenas citar um filme popular já é suficiente para provocar risadas. Isso faz com que determinadas piadas tenham prazo de validade curto. Outro problema é a irregularidade do roteiro, que divide espaço entre cenas engraçadas e momentos previsíveis.
É impossível assistir ao novo “Todo Mundo em Pânico” sem compará-lo ao clássico de 2000. Aquele primeiro filme surgiu no momento perfeito, satirizando uma geração de filmes de terror com confiança e criatividade. O filme de 2026 não alcança o mesmo nível de impacto cultural, mas consegue resgatar parte daquela magia.
O longa não supera o original e provavelmente nunca teve essa pretensão. O filme prefere celebrar tudo aquilo que fez a franquia se tornar querida. O resultado é uma comédia nostálgica e competente, especialmente quando comparada aos capítulos mais recentes da série. Apesar dos problemas de ritmo e excesso de referências, o filme entrega boas risadas e a sensação de reencontrar velhos amigos.