Crítica: Todo Mundo em Pânico 2026 aposta na nostalgia

Poucas franquias de comédia tiveram um impacto tão grande na cultura pop dos anos 2000 quanto “Todo Mundo em Pânico” (Scary Movie). Após anos de ausência e um quinto filme que decepcionou fãs, a franquia retornou aos cinemas em 2026. O novo longa, que traz de volta os irmãos Wayans, tenta resgatar a identidade que parecia perdida.
O filme aposta em um equilíbrio entre nostalgia e atualização. A presença de personagens clássicos como Cindy, Brenda, Ray e Shorty não funciona apenas como aceno aos fãs antigos, mas como parte da narrativa e do humor. A energia desses quatro juntos foi o que fez o primeiro filme ser amado pelo público.
Anna Faris continua demonstrando talento para a comédia física, enquanto Regina Hall rouba a cena. A química entre as duas permanece a mesma, como se mais de duas décadas não tivessem passado. O roteiro usa essa dinâmica como um dos pilares centrais da experiência.
A principal inspiração para as sátiras continua sendo a franquia Pânico, especialmente “Pânico 7”. O roteiro também encontra espaço para zombar de sucessos recentes como M3GAN, SORRIA, Terrifier, Longlegs, A Substância, Pecadores e A Hora do Mal. Além do terror atual, o filme amplia seus alvos para incluir a cultura de cancelamento e a onda de remakes e reboots de Hollywood.
O maior acerto do filme é compreender que a essência da franquia nunca esteve apenas nas referências, mas sim em seus personagens. O retorno de Cindy, Brenda, Ray e Shorty resgata a química que tornou os primeiros filmes queridos. As sátiras ao terror moderno funcionam bem, especialmente quando o filme brinca com produções excessivamente sérias.
Por outro lado, o filme tropeça no excesso de referências. O roteiro parece acreditar que apenas citar um filme popular já é suficiente para provocar risadas. Isso faz com que determinadas piadas tenham prazo de validade curto. Outro problema é a irregularidade do roteiro, que divide cenas engraçadas com momentos previsíveis e menos criativos.
É impossível assistir ao novo “Todo Mundo em Pânico” sem compará-lo ao clássico de 2000. Aquele primeiro filme surgiu no momento perfeito, satirizando uma geração de filmes de terror com confiança e criatividade. O filme de 2026 jamais alcança esse mesmo nível de impacto cultural. Suas piadas são boas e seus personagens continuam carismáticos, mas falta o elemento revolucionário que transformou o original em um fenômeno.
“Todo Mundo em Pânico” (2026) não supera o clássico original. O filme prefere celebrar tudo aquilo que fez a franquia se tornar querida. O resultado é uma comédia nostálgica e competente, especialmente quando comparada aos capítulos mais recentes da série. Embora apresente problemas de ritmo e excesso de referências, o longa entrega boas risadas e a sensação de reencontrar velhos amigos.
O filme tem direção de Michael Tiddes e roteiro de Shawn Wayans, Marlon Wayans e Buddy Johnson. O elenco principal conta com Marlon Wayans, Shawn Wayans, Anna Faris e Regina Hall. A produção é da Miramax Films e a classificação indicativa é 18 anos.