Flesh Made Fear: acerta na atmosfera, mas falha na câmera

O jogo "Flesh Made Fear", desenvolvido pela Tainted Pact Games, chega ao mercado como mais um representante dos chamados "boomer survival horrors". O gênero, que ganhou força nos últimos anos com títulos como Tormented Souls e Crow Country, busca resgatar a experiência dos clássicos da primeira geração do PlayStation.
Desde o início, a influência de Resident Evil é evidente. O jogo utiliza câmeras fixas, controles no estilo tanque, gerenciamento limitado de recursos e exploração de uma mansão cheia de monstros. Há também uma equipe especial que lembra a S.T.A.R.S. da franquia da Capcom. O jogo não esconde essas referências, fazendo delas sua principal identidade.
A direção de arte aposta em um visual low-poly que lembra os jogos de PS1, combinado com iluminação moderna. O resultado é uma estética nostálgica com acabamento atual. A identidade visual é inspirada em filmes grindhouse e slashers dos anos 80, com menus estilizados, violência exagerada e humor sombrio.
A trama acompanha os agentes Jack ou Natalie, do Pelotão de Intervenção Ceifador (RIP). Eles são enviados para capturar Victor Ripper, um ex-cientista da CIA que transformou uma pequena cidade em um inferno de mutantes. A história serve mais como pano de fundo para a ação do que como elemento central, com documentos e fitas de áudio espalhados pelo mapa.
O sistema de câmeras fixas, porém, atrapalha a experiência. As mudanças de enquadramento acontecem em momentos pouco naturais, fazendo o jogador perder a noção da direção. Inimigos podem aparecer fora do campo de visão, gerando frustração. O combate é funcional, mas falta impacto. Os inimigos raramente transmitem uma sensação constante de ameaça.
O grande destaque do jogo é a atmosfera. A iluminação, os efeitos sonoros e os ambientes decadentes criam uma sensação constante de desconforto. O medo nasce da expectativa, e não de sustos repentinos. Mesmo com um roteiro que não impressiona, a ambientação mantém o jogador envolvido.
"Flesh Made Fear" está disponível para PlayStation 5 e PC (Steam). O jogo demonstra carinho pelos clássicos do survival horror, mas os problemas de câmera, a narrativa pouco inspirada e o combate sem impacto o impedem de alcançar voos maiores. Para quem sente saudade da era PlayStation, a experiência ainda é recomendada.