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Futuro Futuro: reflexões potentes, roteiro irregular

Por Todos Somos Geek · · 2 min de leitura
Futuro Futuro: reflexões potentes, roteiro irregular
Crédito: Divulgação Vulcana Cinema

O filme brasileiro "Futuro Futuro", dirigido por Davi Pretto, estreia nos cinemas no dia 23 de julho. A obra mescla drama, romance e distopia para discutir temas como inteligência artificial, memória e desigualdade social. Apesar da proposta ambiciosa e do visual interessante, a execução do roteiro não sustenta todas as ideias apresentadas.

A história acompanha K, um homem que acorda sem memória em um Brasil devastado por mudanças climáticas e dividido entre ricos e pobres. Ele inicia uma jornada para descobrir sua identidade enquanto entra em contato com uma tecnologia que reconstrói lembranças por meio de inteligência artificial. O roteiro levanta questões sobre dependência tecnológica e manipulação da memória, mas trata a maioria dos temas de forma superficial.

A direção de Davi Pretto aposta na construção visual. A fotografia contrasta o mundo real, com tons frios, com as imagens artificiais, que usam uma paleta avermelhada. O uso de inteligência artificial para criar cenários cria uma camada de metalinguagem. No entanto, o desenvolvimento dramático não acompanha a riqueza visual.

O roteiro acumula elementos como uma doença que afeta a memória, uma sociedade dividida, uma inteligência artificial que fabrica lembranças, crise climática, romance e críticas ao capitalismo. Separadamente, cada um renderia um longa, mas juntos competem pela atenção do espectador. Em vários momentos, o roteiro parece mais interessado em levantar conceitos do que em desenvolver personagens ou conflitos.

O ator Zé Maria Pescador entrega uma atuação contida como K, refletindo a confusão do personagem. João Carlos Castanha acrescenta humanidade à narrativa, especialmente nas cenas sobre solidão e afeto. Ainda assim, o roteiro mantém os personagens distantes emocionalmente durante boa parte do filme.

"Futuro Futuro" é um filme de autor, contemplativo e cheio de simbolismos. A obra exige esforço do espectador para preencher lacunas que deveriam estar mais bem desenvolvidas. O longa tem classificação indicativa de 16 anos e duração de 1 hora e 26 minutos.

Outro lançamento do cinema nacional

O cinema brasileiro também aposta em outras produções para 2025. Filmes como "O Último Azul" e "Divino Amor" seguem a tendência de usar a ficção científica para discutir problemas sociais sem os grandes espetáculos de Hollywood.

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