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Hades em A Odisseia: O verdadeiro senhor do Submundo

Por Todos Somos Geek · · 4 min de leitura
Hades em A Odisseia: O verdadeiro senhor do Submundo
Crédito: Reprodução

Com a estreia de A Odisseia nos cinemas, a mitologia grega voltou ao centro das discussões. A jornada de Odisseu é marcada por encontros com monstros, deuses e criaturas lendárias. Um dos momentos mais fascinantes da epopeia de Homero é sua visita ao Submundo. A partir daí surge uma dúvida comum: afinal, quem é Hades?

Ao contrário do que muitas adaptações do cinema e dos games fizeram o público acreditar, Hades não é o equivalente grego do Diabo. Na verdade, ele é um dos deuses mais importantes do Olimpo e desempenha um papel essencial na manutenção da ordem do mundo.

Hades era filho dos titãs Cronos e Reia e irmão de Zeus, Poseidon, Hera, Deméter e Héstia. Após derrotarem os Titãs, os três irmãos dividiram o universo por sorteio. A Terra e o Monte Olimpo permaneceram como territórios compartilhados entre todos os deuses. Zeus ficou com os céus, Poseidon passou a governar os mares e Hades tornou-se o soberano do Submundo.

Embora seu domínio fosse associado à morte, isso não fazia dele um deus maligno. Sua função era garantir que as almas chegassem ao destino correto e que ninguém escapasse do ciclo natural da vida. Diferentemente de Zeus, que constantemente interferia nos assuntos humanos, Hades raramente deixava seu reino e quase nunca participava das disputas do Olimpo.

A associação entre Hades e Satanás surgiu séculos depois, principalmente pela influência da tradição cristã. Para os gregos, Hades não era o senhor do mal nem castigava pessoas por prazer. Ele era visto como um governante severo, imparcial e incorruptível. Seu trabalho era administrar o reino dos mortos, garantindo que cada alma recebesse o destino que merecia. Era temido não por ser cruel, mas porque representava a inevitabilidade da morte.

O Submundo era um vasto reino localizado nas profundezas da Terra. Para alcançá-lo, as almas precisavam atravessar rios misteriosos conduzidas por Caronte, o barqueiro que exigia uma moeda como pagamento pela travessia. Na entrada do reino estava Cérbero, o gigantesco cão de três cabeças encarregado de impedir que os mortos escapassem e que os vivos invadissem o mundo dos mortos.

Cinco rios percorriam o Submundo, cada um associado a um significado diferente: Estige, ligado aos juramentos dos deuses; Aqueronte, o rio da dor; Lete, cujas águas faziam as almas esquecerem a vida anterior; Flegetonte, formado por fogo; e Cócito, conhecido como o rio das lamentações.

Ao contrário da ideia moderna de céu e inferno, o Submundo possuía diferentes regiões. Os Campos Elísios eram reservados aos grandes heróis e às pessoas consideradas virtuosas. Os Campos de Asfódelos recebiam a maioria das almas, especialmente aqueles que não haviam cometido grandes crimes nem realizado feitos heroicos. Já o Tártaro era destinado aos piores criminosos e inimigos dos deuses.

Uma das histórias mais famosas da mitologia envolve Hades e Perséfone, filha de Deméter. Segundo o mito, Hades recebeu de Zeus a permissão para tomar Perséfone como esposa e a levou para o Submundo. Desesperada, Deméter fez a Terra deixar de produzir alimentos. Para resolver o conflito, Zeus determinou que Perséfone passaria parte do ano com sua mãe e outra parte ao lado de Hades. Esse mito explicava, para os gregos antigos, o ciclo das estações.

Pouquíssimos mortais conseguiram entrar no reino dos mortos e voltar vivos. Orfeu desceu ao Submundo para tentar recuperar sua amada Eurídice usando apenas o poder de sua música. Hércules realizou um de seus famosos trabalhos capturando Cérbero sem matar o animal. Odisseu chegou aos limites do Submundo durante sua longa viagem para obter conselhos do adivinho Tirésias. Já Teseu tentou sequestrar Perséfone ao lado de Pirítoo e acabou preso no Submundo.

Entre os objetos mais associados ao deus estão o Elmo da Invisibilidade, capaz de tornar seu usuário invisível até mesmo para os outros deuses, e o bidente, uma arma semelhante a um tridente de duas pontas. Também eram símbolos de Hades o cipreste, os narcisos e as riquezas subterrâneas. Por isso, além de governante dos mortos, Hades também é o deus das riquezas escondidas sob a Terra.

Os gregos acreditavam que pronunciar seu nome poderia atrair sua atenção. Por isso, frequentemente o chamavam de Plouton, palavra ligada à riqueza, já que todos os metais preciosos e minerais estavam escondidos sob a Terra, território governado pelo deus.

Ao longo das últimas décadas, o cinema e os videogames transformaram Hades em um grande vilão. Em animações como Hércules, da Disney, ele aparece como um deus sarcástico e sedento por poder. Em outras produções, como Fúria de Titãs e Percy Jackson, sua imagem também é associada ao mal absoluto. Um dos retratos mais fiéis dos últimos anos aparece no premiado game Hades, da Supergiant Games, que apresenta o deus como uma figura rígida, severa e extremamente responsável por suas funções.

A mitologia original apresenta um personagem muito mais complexo. Hades não desejava conquistar o Olimpo nem destruir a humanidade. Seu papel era manter o equilíbrio entre a vida e a morte, uma responsabilidade tão importante quanto a de Zeus nos céus ou Poseidon nos mares. Nenhum deus grego foi tão mal interpretado quanto Hades. Seu reino inspirava medo, mas sua função era essencial para que o universo permanecesse em ordem. Ele não representava a maldade, e sim a inevitabilidade da morte e o respeito às leis divinas.

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