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IA gera nova crise em Hollywood: artistas resistem

Por Todos Somos Geek · · 3 min de leitura
IA gera nova crise em Hollywood: artistas resistem
A24, estúdio de “Backrooms”, selou acordo com Google para desenvolvimento de ferramentas de IA (Crédito: Divulgação/A24)

Decisões corporativas envolvendo Inteligência Artificial (IA) estão forçando sindicatos e atores a entrarem em atrito com estúdios de Hollywood. A questão caminha a passos largos para se tornar mais uma crise entre os estúdios e sua classe trabalhadora, três anos após a maior greve geral de roteiristas e atores da história paralisar o cinema e a TV estadunidenses.

Na indústria cinematográfica, a IA divide opiniões. Para os estúdios, as novas tecnologias se tornaram um "sonho de consumo". A Disney foi pioneira em 2025 ao selar um acordo inédito de 1 bilhão de dólares com a OpenAI, gestora do ChatGPT, para a criação de vídeos curtos utilizando personagens do estúdio. A parceria ruiu sem sair do papel devido ao encerramento do Sora, a geradora de vídeos da OpenAI.

No último mês, a A24, estúdio que lançou "O Drama" e "Backrooms" neste ano, selou um acordo de US$ 75 milhões com o Google para desenvolver ferramentas de IA que visam "aprimorar" funções criativas na produção cinematográfica.

Enquanto os estúdios correm para fechar acordos milionários, a questão tem sido vista de maneira diferente em parte da classe artística. Figuras renomadas do entretenimento, como Madonna e Christopher Nolan, já criticaram abertamente o uso de IA no processo criativo. O criador de "Backrooms", Kane Parsons, foi na contramão da A24 e apontou recentemente que a IA generativa parece menos uma inovação e mais um sintoma de um empobrecimento cultural e econômico.

A questão também virou tema na ficção. A comédia "Hacks", sucesso da HBO Max, dedicou um episódio inteiro de sua última temporada para debater o uso da IA generativa como um "substituto" do processo artístico humano.

As IAs também inauguraram uma nova crise no entretenimento do ponto de vista legal: a infração de direitos autorais e de imagem. Esse foi um dos principais impasses que estendeu a greve dos atores em 2023. O SAG-AFTRA, sindicato que representa mais de 170 mil artistas do audiovisual, exigiu que produtoras obtivessem consentimento dos atores para criar réplicas digitais, enquanto os estúdios resistiram.

Em 2025, a OpenAI e o Google recorreram ao governo dos EUA com um "plano de ação para o avanço da IA". Entre os pontos apoiados, estava a flexibilização das leis de direitos autorais e de imagem. As empresas alegavam que usar materiais protegidos por direitos autorais impulsionaria o treinamento da IA generativa, criando brechas nas leis para que sequer precisassem da autorização dos detentores dos direitos. O caso provocou uma reação com uma carta aberta assinada por mais de 420 artistas, incluindo Mark Ruffalo, Paul Simon e Aubrey Plaza, pressionando o governo.

Nas últimas semanas, uma nova crise foi exposta envolvendo o trabalho de dublagem em animações. Uma carta assinada por mais de mil atores, agentes e pais dos EUA e Reino Unido expôs que um grande estúdio de Hollywood vinha utilizando cláusulas contratuais para obrigar crianças a cederem suas vozes para IAs generativas. Uma investigação do Deadline revelou que a Hasbro adotou essa prática com "Peppa Pig". A empresa passou a apresentar essas cláusulas como condição determinante para a assinatura dos contratos de atores mirins, podendo utilizar as vozes até mesmo após o fim do vínculo.

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