Marsupilami: Confusão a Bordo diverte, mas não é um clássico infantil

O filme Marsupilami: Confusão a Bordo aposta na comédia pastelão, mas gera uma experiência dividida entre o humor eficiente e o tom inadequado para o público infantil. A produção, que estreia em 22 de julho de 2026, traz de volta o personagem criado por André Franquin em 1952, famoso no Brasil pelos desenhos exibidos na TV Cultura e no SBT.
A trama acompanha David, interpretado por Philippe Lacheau, um funcionário de um diretor de zoológico vivido por Jean Reno. Ele recebe a missão de transportar ilegalmente um pacote misterioso da América do Sul para a Europa. Para disfarçar a operação, embarca em um cruzeiro com o filho Léo, interpretado por Corentin Guillot, e a ex-companheira Tess, vivida por Élodie Fontan, na tentativa de reconstruir a relação familiar. O pacote, no entanto, guarda um filhote de Marsupilami, cuja fuga desencadeia uma série de perseguições e confusões.
Como comédia pastelão, o filme funciona bem. Philippe Lacheau demonstra domínio do humor físico e exagerado, algo já visto em produções como Super Quem?. O carisma de Jamel Debbouze, que retorna ao papel de Pablito após Na Trilha do Marsupilami (2012), contribui para momentos engraçados. O elenco mantém um ritmo acelerado com situações absurdas que arrancam risadas.
O Marsupilami também convence, apesar de efeitos visuais com acabamento limitado, alternando entre um visual que lembra um boneco animatrônico e um CGI mais convincente. O personagem preserva o carisma que sempre o acompanhou.
Tom inadequado para o público infantil
O problema principal está no tom da produção. Vendido como uma aventura para toda a família, o filme aposta repetidamente em piadas de cunho sexual, insinuações, referências a drogas e humor adulto. As referências são explícitas, incluindo piadas envolvendo Viagra e situações que destoam da imagem tradicional do personagem.
Se o filme fosse apresentado como uma comédia francesa para adolescentes e adultos, a avaliação seria mais positiva. O humor funciona dentro dessa proposta. No entanto, por utilizar um personagem historicamente associado ao entretenimento infantil e se vender como um filme para a família, a escolha de linguagem incomoda.
Crianças pequenas talvez não compreendam boa parte dessas piadas, mas elas estão presentes e foram escritas para o público adulto. A produção não vai muito além do básico, com direção que aposta em uma estética simples e quase televisiva, personagens humanos pouco marcantes e um roteiro previsível. O destaque continua sendo o Marsupilami, cuja relação com Léo se torna o principal elemento emocional da história.
Parte da crítica francesa classificou o longa como uma aventura inocente para toda a família. Para quem cresceu vendo Marsupilami como um personagem infantil, a adaptação escolheu um caminho diferente daquele que tornou o personagem querido.