Paula Rodrigues: força feminina e desafios do mercado indie

A escritora Paula Rodrigues, autora da saga de romances O Império Fürgson, concedeu entrevista exclusiva ao GeekPop News. Na conversa, ela falou sobre sua produção literária e os desafios do mercado editorial independente. A autora também compartilhou detalhes de seu universo ficcional e analisou o cenário atual para escritores que buscam visibilidade. Paula divulga seu trabalho em seu perfil oficial no Instagram.
Paula Rodrigues se apresentou como escritora, atriz, cantora e publicitária. Mãe de uma menina de 3 anos, ela disse ser apaixonada pelo mundo geek e pop, crítica de cinema, fã de RPG e, principalmente, da Era Vitoriana e vampiros. Este é seu tipo de leitura favorito e fonte de grandes inspirações.
Sobre sua participação na FliMinas, Paula afirmou que foi sua segunda vez em uma feira literária como autora independente. Na primeira, levou apenas livros e marcadores. Desta vez, preparou uma experiência imersiva com marcadores diferenciados. Ela destacou a troca com outros autores independentes, com dicas sobre gráficas, editoras e formas de atrair público. Para ela, o contato presencial é mais gratificante que o online.
A autora elogiou o apoio recebido do Plin, que deu suporte e espaço aos independentes. Como sugestão, apontou a necessidade de otimizar a circulação do público, já que seu estande teve fluxo menor de pessoas. Ainda assim, conseguiu chamar a atenção e vender exemplares de “O Império Fürgson”.
Paula revelou que a inspiração para a saga veio de “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen, e de “Anna Karenina”, de Leon Tolstói. A ideia central foi ter uma mulher no poder na Era Vitoriana, algo inimaginável na época, mas dentro da realidade do período. Ela quis abordar problemas sociais, como a mulher no poder, o dinheiro como modificador de regras, ambições, sonhos reprimidos, máscaras sociais e homossexualidade.
O nome Fürgson foi escolhido por transmitir poder. Para a autora, o personagem tem um ar prepotente, dominador e misterioso, com poder baseado em dinheiro, status e sobrenome, não em força física. A protagonista Claire ganha poder ao mostrar que sabedoria e estratégia estão acima da força bruta, tudo por causa do novo sobrenome adquirido com o casamento.
A protagonista não foi inspirada em alguém específico. Paula disse que Claire tem traços de Elizabeth (de “Orgulho e Preconceito”), de Anna Karenina e um pouco dela mesma. Ela vê Claire como uma garota intensa, que ama com lealdade e aprende que o amor vai além dos livros, manifestando-se no cuidado e na amizade. A personagem é ingênua, mas forte, e amadurece ao longo da história.
Paula também escreveu um livro de drama e terror psicológico antes de O Império Fürgson, mas decidiu reformulá-lo para algo mais intenso e perturbador. No entanto, está focada na saga atual. Além disso, escreveu fan fics de X-Men (7 livros), Piratas do Caribe (4 livros) e Quarteto Fantástico (2 livros), que podem ser encontradas no link de sua bio no Instagram.
Sobre o mercado independente no Brasil, Paula vê o crescimento de publicações como uma oportunidade. Ela acredita que muitas pessoas têm histórias para contar e podem se tornar best-sellers. No entanto, sente que o país ainda precisa avançar no cuidado com a leitura e na visibilidade das obras nacionais. Para ela, o Brasil só dará o devido valor quando entender que obras nacionais podem ser lucrativas. Ela elogiou eventos como a Bienal e o FliMinas, mas disse que o espaço para autores independentes ainda é pequeno.