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Academia de Cinema é “sudestina demais”? Dados respondem

Por Todos Somos Geek · · 2 min de leitura
Academia de Cinema é “sudestina demais”? Dados respondem
Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura durante filmagens de “O Agente Secreto” (Crédito: Laura Castor)

A Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais celebrou na última semana os 25 anos do Prêmio Grande Otelo, considerado o “Oscar brasileiro”. A edição de 2026 premiou filmes como “O Agente Secreto”, “Homem Com H” e “Manas”, mas o evento ganhou destaque nas redes sociais por uma polêmica envolvendo a composição da instituição.

Durante a cerimônia, o cineasta Kléber Mendonça Filho, diretor de “O Agente Secreto”, usou seu discurso de agradecimento pelo prêmio de Melhor Filme de Ficção, que dividiu com “Manas”, para criticar o que chamou de “ar sudestino” na organização. “É extremamente importante, porque essa é uma festa de todos nós; todos nós que somos brasileiros. Essa não é a primeira vez que eu venho aqui, eu já participei algumas outras vezes com outros filmes. E há um ar forte sudestino que a gente precisa dissipar um pouco na Academia Brasileira de Cinema”, afirmou o cineasta.

Os números divulgados pela própria Academia mostram que a reclamação tem base. Dos 356 sócios que compõem a organização, 279 residem no Sudeste. Desses, 157 são do Rio de Janeiro, 111 de São Paulo, 10 de Minas Gerais e apenas um do Espírito Santo. Isso significa que 78,3% de todos os membros são da região Sudeste.

O restante dos sócios está distribuído da seguinte forma: 8,4% no Nordeste (30 membros), 5,3% no Sul (19 membros), 3% no Centro-Oeste (11 membros) e 0,8% no Norte (três membros). Há ainda 11 membros residentes nos Estados Unidos, dois em Portugal e um no Reino Unido.

A distribuição por estado brasileiro é a seguinte: Alagoas tem 1 membro; Bahia, 8; Ceará, 6; Distrito Federal, 8; Espírito Santo, 1; Goiás, 3; Maranhão, 3; Minas Gerais, 10; Paraíba, 1; Pernambuco, 10; Pará, 1; Paraná, 2; Rio de Janeiro, 157; Rio Grande do Sul, 12; Rondônia, 1; Santa Catarina, 5; São Paulo, 111; Sergipe, 1; e Tocantins, 1.

Apesar do desequilíbrio regional, a Academia defende sua composição. Em entrevista ao jornal O Globo, a presidente Renata Almeida Magalhães afirmou que os dados “espelham” a indústria cinematográfica do país. Segundo a Ancine, o Sudeste concentra cerca de 66,7% das produtoras brasileiras. Os demais 33,3% estão distribuídos entre Nordeste (12,7%), Centro-Oeste (6,2%), Sul (12%) e Norte (2,4%).

A Academia Brasileira de Cinema aceita novos membros por meio de duas categorias: Sócio Técnico e Sócio Pleno. Ambas são voltadas para profissionais do audiovisual, incluindo cinema, TV e streaming, além de empresas de distribuição e exibição. A pré-inscrição é feita pelo site oficial da instituição.

Diferente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, a AMPAS, onde é necessário receber convite formal, qualquer profissional da indústria brasileira pode se inscrever para ser membro. Entre as profissões que se encaixam na categoria de Sócio Técnico estão assistentes de direção, diretores de arte, figurinistas, fotógrafos, maquiadores, montadores, músicos, profissionais de VFX, realizadores de curta-metragem e técnicos de som. Já a categoria de Sócio Pleno é destinada a atrizes, atores, diretores, produtores e roteiristas.

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