Academia de Cinema é “sudestina demais”? Dados revelam

A Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais celebrou na última semana os 25 anos do Prêmio Grande Otelo, considerado o “Oscar brasileiro”. A edição de 2026 premiou filmes como “O Agente Secreto”, “Homem Com H” e “Manas”, mas a cerimônia ganhou destaque nas redes sociais por uma polêmica envolvendo o cineasta Kléber Mendonça Filho.
Durante o discurso de agradecimento pelo prêmio de Melhor Filme de Ficção, que teve empate com “Manas”, o diretor de “O Agente Secreto” criticou o que chamou de “ar sudestino” na organização. “É extremamente importante, porque essa é uma festa de todos nós; todos nós que somos brasileiros. Essa não é a primeira vez que eu venho aqui, eu já participei algumas outras vezes com outros filmes. E há um ar forte sudestino que a gente precisa dissipar um pouco na Academia Brasileira de Cinema”, afirmou.
Os números divulgados pela própria Academia mostram que a reclamação tem base. Dos 356 sócios que compõem a entidade, 279 residem no Sudeste. Desses, 157 são do Rio de Janeiro, 111 de São Paulo, 10 de Minas Gerais e apenas um do Espírito Santo. O percentual representa 78,3% do total de membros.
As demais regiões somam 22,7% dos sócios. O Nordeste tem 30 membros (8,4%), o Sul tem 19 (5,3%), o Centro-Oeste tem 11 (3%) e o Norte tem três (0,8%). Há ainda 11 membros que vivem nos Estados Unidos, dois em Portugal e um no Reino Unido.
A distribuição por estado inclui: Bahia com 8, Ceará com 6, Distrito Federal com 8, Goiás com 3, Maranhão com 3, Pernambuco com 10, Paraíba com 1, Pará com 1, Paraná com 2, Rio Grande do Sul com 12, Rondônia com 1, Santa Catarina com 5, Sergipe com 1 e Tocantins com 1. Alagoas também tem 1 representante.
A presidente da Academia, Renata Almeida Magalhães, defendeu a composição atual. Em entrevista ao jornal O Globo, ela afirmou que os números refletem a realidade da indústria cinematográfica nacional. Dados da Ancine indicam que o Sudeste concentra cerca de 66,7% das produtoras do país. O restante se divide entre Nordeste (12,7%), Centro-Oeste (6,2%), Sul (12%) e Norte (2,4%).
A entrada de novos membros na Academia Brasileira de Cinema ocorre por duas vias: Sócio Técnico e Sócio Pleno. Ambas são abertas a profissionais do audiovisual que atuam em cinema, TV, streaming ou em empresas de distribuição e exibição. A pré-inscrição é feita pelo site oficial da instituição.
O processo brasileiro difere do modelo americano. Na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, a AMPAS, a entrada depende de convite formal. No Brasil, qualquer profissional do setor pode se candidatar. Entre as profissões aceitas como Sócio Técnico estão assistentes de direção, diretores de arte, figurinistas, fotógrafos, maquiadores, montadores, músicos, profissionais de VFX, realizadores de curta-metragem e técnicos de som. Já a categoria de Sócio Pleno inclui atrizes, atores, diretores, produtores e roteiristas.